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"Analisa bem quem é teu amigo, porque se o consideras como tal e ele não o for, pode muito bem ser o teu principal inimigo"

Anónimo
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Este texto foi já publicado no passado mês de Dezembro no Portal Olá Porto. O texto também pode ser lido na íntegra aqui. Para comentar, basta clicar aqui.

Prostituição na Invicta

Ao cair da noite, as meninas lá vão aparecendo, uma a uma. Na rua da Trindade, bem no coração da cidade do Porto, aquela que é conhecida como a profissão mais velha do mundo, vai criando raízes. O negócio é tal que os proxenetas, vulgo chulos, são em maior quantidade que as prostitutas.

Aproximam-se com a desculpa de cravarem um cigarro. Depois soltam a pergunta da praxe: "não se quer divertir um bocadinho?". Acertam-se preços e daí até se estar na pensão - digamos antes, antro - não vai muito. Ali pagam-se 5 Euros à recepcionista, com direito a uma simples toalha, já que o preservativo está incluído no preço, oferta da casa. No quarto andar, num dos três quartos, encontra-se uma cama (de casal, claro), um lavatório (para a habitual lavagem) e uma cadeira para colocar a roupa. Os vinte minutos que se seguem são exclusivamente tempo de prazer, em troca da módica quantia de 25 Euros. Apenas vinte minutos e nem mais um segundo, caso contrário, "a dona do hotel chateia-se". Chateia-se e cobra mais 5 Euros, para compensar o prejuízo.

Paula foi a única prostituta que acedeu falar à nossa reportagem. Afirma que "não preciso disto para nada, mas o vício é tão grande que já não consigo sair". Como se isso não bastasse, "o Zé, o meu chulo, diz que lhe dou muito lucro e, se hoje não venho trabalhar, amanhã temos bronca".

Há quem considere que estas meninas são fáceis de enganar e que, acima de tudo, são burras. "Enganam-se", diz Paula. "Nós não somos nada disso; podemo-nos fazer de burras mas, no fim da brincadeira, eles caem em si e vêem a burrice que fizeram". E, "se nos tentam enganar, podemos ceder, mas sempre com o pé atrás", não morresse o seguro de velho, ou não fosse esta a mais velha profissão à face da terra.

Enquanto se regateiam os preços e todos os preliminares, deve-se ter em consideração que "há por aí algumas gajas que só levam 10 Euros mas, na pensão, ficam com a carteira completamente vazia; nem os trocos escapam". Quem foi? Ninguém sabe, nem ninguém viu nada. O silêncio é a alma deste negócio. Deste e de muitos outros.

O papel do chulo

Num tom mordaz, alguém nos pergunta se queremos uma menina para nos fazer companhia durante um bocadinho. Ao respondermos que nos encontramos ali em trabalho, nova questão é lançada: "que tipo de trabalho se pode fazer na Trindade, às 4 da manhã?" A resposta é esclarecedora. Num abrir e fechar de olhos, aquele 'protector' dá meia volta e desaparece no escuro. É sol de pouca dura, pois dentro de meia hora, regressa e aceita fazer alguns comentários à nossa reportagem.

Ana, a sua protegida, é alfacinha e tem 24 anos. Segundo nos conta, "fugiu de casa dos pais e, como não tinha emprego, nem para onde ir, eu encarreguei-me disso". Em troca da protecção, Manel fica sempre "com metade do que ganha e, às vezes, com mais um pouco". Contudo, essa protecção que lhe é prometida nem sempre é bem esclarecida por ambos. Elas chegam a trabalhar cerca de 6 a 7 horas por noite, durante os sete dias da semana. Em cada noite, o rendimento pode ascender aos 200 Euros. Desse total, cerca de 130 Euros são para o chulo, com a promessa de melhores condições e mais protecção.

Será que é protecção aquilo que os chulos dão às suas 'meninas'? Os maus tratos, os abusos, e o aproveitamento, estão sempre patentes no seu corpo, como forma de as controlarem, pois é muito aborrecido para o chulo, uma prostituta desaparecer, ou fugir em busca de uma nova vida. Na sua mentalidade, a prostituta mais não é do que um objecto, usado para render. Caso contrário, não serve para nada. Cada vez que elas recusam alguma coisa, umas bofetadas ou uns murros resolvem a questão. E depois, há aquelas que estão agarradas à droga. Paula afirmou-nos que "essas já estão no fim da vida e não estão em si quando vão pr'á casa com um cliente; só pensam na merda da droga que o chulo lhes vai dar, daqui a pouco".
O chulo identifica-se como sendo o 'pai' da prostituta, não sendo certamente por uma questão de afecto. De salientar, ainda, que elas, por mais que queiram sair dessa vida, por vezes, não lhes é possível, dado que o seu papel no meio social actual, é muito abaixo de medíocre. Por isso mesmo, Paula diz-nos que "apenas tentamos sobreviver e não prejudicamos ninguém", acrescentando que "apenas aliviamos aqueles que nos procuram".

Outras paragens
Por mais que se queiram evitar as ruas freqentadas pelas prostitutas, no Porto, torna-se sempre um pouco difícil. Não é só a Trindade que tem má fama. Por 15 Euros, encontram-se 'meninas' na rua Fernão de Magalhães, junto ao Campo 24 de Agosto, ou no Largo do Padrão. E isso acontece, em plena luz do dia, com os transeuntes a passar, de um lado para o outro. Em comum, todas elas estão dispostas a satisfazer o mais íntimo dos prazeres a qualquer homem. Para além de se encontrarem meninas, também aqui há senhoras na casa dos 30 ou dos 40. Apesar de serem em menor número, garantem-nos que "conseguimos tomar conta do recado".

Já na rua Gonçalo Cristóvão e na rua Santa Catarina, o ambiente é diferente. É necessário ter-se olhos bem abertos. Aqui não se encontram meninas, nem senhoras. Aqui há jovens, adolescentes, ou na casa dos 30, vestidos de mulher: os travestis. Segundo um deles, "já confundimos muitos homens que só descobrem que somos homens quando já estamos a arfar ali na pensão". Outros há, "que são casados, têm filhos e só nos querem a nós". Lady Gi, nome artístico, como faz questão de referir, "nós temos uma coisa que as mulheres deles não têm". Esta forma de prostituição é mais procurada por homens de família, casados e de uma classe social mais estável.

Mas há sempre outras paragens mais recatadas e mais escondidas. O Marquês de Pombal e a rua da Alegria são disso exemplo. Na primeira encontram-se numerosas ruelas sombrias para satisfazer os pedidos dos mais íntimos. Também é vulgar ver-se no Marquês, diariamente, por volta das 19 horas, uma carrinha que vem carregar as 'meninas' para mais uma noite de trabalho, "lá para os lados da Via Norte". Na rua da Alegria, a afluência de prostitutas é cada vez maior. Aparecem por volta das 3 da tarde e ali ficam pela noite dentro.

Os putos

Os maiores concorrentes das prostitutas são, sem sombra de dúvida, os prostitutos. A maior parte deles tem entre 11 e 18 anos e são os mais procurados pelos homens da média e alta classe social. Segundo alguns deles comentaram à nossa reportagem, "prostituímo-nos, não para nos sustentarmos, mas para passar o tempo", acrescentando que "isto é mais um part-time de que gostamos". É obvio que alguns deles se prostituem porque são forçados a tal situação. Mais de metade, fá-lo voluntariamente, outros por necessidade e, outros, para consumo de droga. Ganham mais dinheiro do que elas porque "as pessoas que nos procuram são empresários, políticos conhecidos da nossa praça, que nos levam para apartamentos ou hotéis de luxo, evitando assim serem conhecidos". A maior parte dos prostitutos, contudo, não aceita que os clientes façam sexo com eles; preferem as carícias e o sexo oral à penetração. Pelo menos, foi o que nos confessaram.

Contudo, não são só os homens que os procuram; também são contactados por senhoras, a maior parte delas, casadas. E fazem-no por vários motivos: não só para se satisfazerem sexualmente, como também para procurarem novos incentivos sexuais, com a intenção de agradarem aos seus maridos. Na lista de clientes, encontram-se também as meninas solteiras que, gostando de experimentar coisas novas, se entregam, tanto a eles, como a elas. Para não mencionar as centenas de anúncios que proliferam em qualquer jornal diário ou na Internet, bem como a 'invasão de meninas' que vêm de países da Europa de Leste e aqui assentam arraiais.

A tentar pôr cobro a esta e a tantas outras situações idênticas, está a polícia, que não consegue grandes resultados, devido ao elevado número de 'profissionais' no ramo e, principalmente, porque a procura, por vezes, excede a oferta.

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