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"Analisa bem quem é teu amigo, porque se o consideras como tal e ele não o for, pode muito bem ser o teu principal inimigo"

Anónimo
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Presidente do Sindicato dos Professores da Zona Norte (SPZN) afirma que...
"O futuro passa pelos professores"

Que o ensino em Portugal já conheceu dias melhores, não é novidade. Que as expectativas por que essas melhoras ocorram, também não. Se, estando nós do lado de fora, assim o sentimos, quem lida diariamente com as nossas crianças e os nossos jovens, mais o sente.

Há razões para sentirmos alguma insatisfação: Portugal é, com efeito, um dos países da Europa que mais baixos níveis de sucesso apresenta ao nível escolar. Também é sabido que o estado em que as nossas escolas se encontram, não é dos melhores. Aliado a tudo isso, paira o abandono da escolaridade mínima obrigatória.
A própria imagem social dos professores tem vindo a mudar, mas há traços que permanecem na identidade associada à profissão de professor. Desde sempre houve e há, apesar de algumas flutuações, a consideração pelo professor. O professor tem sido considerado um dos expoentes da nossa sociedade. E é genericamente respeitado por todos; todos nós mantemos hoje ainda a recordação de algum professor em particular que nos marcou de uma forma muito especial. E é frequente que um dos nossos professores seja escolhido para lhe contarmos um segredo, uma confidência, antes mesmo de o contarmos a alguém da nossa família; e ele está lá para ouvir, para aconselhar.
Numa altura em que o stress tomou conta da vida de muitas pessoas, as exigências que se levantam à escola e aos professores aumentaram; ele é, por assim dizer, a extensão da família.
Mais do que ensinar, cabe ao professor dos tempos modernos, educar. A falta de tempo é motivo para muitas justificações e, na maioria das vezes, os pais não têm tempo para estar com os filhos. Esta ausência significa que deixa de haver tempo para os educar, para os ajudar; simplesmente, não há tempo para estar com eles.
João Dias da Silva é o presidente do Sindicato dos Professores da Zona Norte. Considera que, "apesar de termos assistido à democratização do acesso ao ensino em Portugal, não se assistiu à democratização do sucesso educativo. Verificamos que as taxas de analfabetismo, embora largamente reduzidas, se mantêm a níveis inaceitáveis". A verdade é que "a distância a que nos encontrávamos dos outros países europeus era grande e, apesar do esforço que foi feito, ainda não atingimos os níveis que desejamos".

Papel central

Enquanto educador, João Dias da Silva, também ele professor, é de opinião que "o professor desempenha um papel central no sistema educativo, uma vez que o futuro do país, passa pelos professores de hoje", acrescentando que "a nossa profissão tem a particularidade de, os efeitos daquilo que realizamos hoje, só se verificarem daqui a uns anos". Daí referir que, "à geração actual de professores, cabe a consciência de que, o futuro passa por nós professores que, dia a dia, lidamos com os alunos". Significa isto, nas palavras deste professor, que cabem aos professores responsabilidades diferentes: "os jovens têm que adquirir na escola, as ferramentas que lhes permitam enfrentar os desafios que vão encontrar no futuro e que, nós, neste momento, ainda desconhecemos". Por isso mesmo, João Dias da Silva confessa que "o futuro passa pelos professores".
Apesar de ter sido delegada às escolas uma responsabilidade muito grande no papel de educar os nossos jovens, João Dias da Silva alerta para o facto de que "os pais têm que continuar a ter um papel relevantíssimo na educação dos seus filhos", acrescentando que "mesmo que os pais cheguem cansados a casa, mesmo que o trabalho não lhes tenha corrido bem, eles têm o dever e a obrigação de estar com os seus filhos". Por outro lado, este professor considera que "mal vai a sociedade se os pais e as famílias se descartarem da sua responsabilidade e a quiserem transferir para as escolas". Daí que considere que "temos o dever de distinguir os campos de intervenção de cada um dos lados sabendo, no entanto, que é essencial que haja uma ponte permanente entre a escola e a família".
É certo que a sociedade tem assistido a uma transferência para a escola de múltiplas responsabilidades sociais. A escola que, antes, tinha uma dimensão instrutiva, ganhou hoje, muitas outras dimensões, exigindo-se mesmo à escola, outros tipos de formação, como seja, a formação rodoviária, a formação para a saúde, para o ambiente, entre muitas outras. A este respeito, João Dias da Silva considera que "é ao Estado e à sociedade que compete assumir também as suas responsabilidades, na área da educação das gerações futuras", atendendo ao facto de que "a escola nunca cumprirá o seu papel, se todos os outros se demitirem das suas responsabilidades e a transferirem para a escola".

Dificuldades

Nesta sociedade em completa mutação, muitos são os problemas e as dificuldades com que alguns professores se debatem. Existem casos conhecidos de indisciplina, desobediência e desordens nas salas de aulas. Para além destes problemas, João Dias da Silva afirma que "sendo a escola o espelho da sociedade, a diminuição do respeito pela autoridade não se verifica só nas escolas". Com efeito, quando a tradição já não é o que era, João Dias da Silva lembra que "os polícias, os advogados ou os médicos, por exemplo, não são tão respeitados". Por conseguinte, "não se pode querer que a escola seja o lugar da autoridade quando a sociedade se demite, mesmo ao lado da escola, de assumir essa autoridade". Com isto, João Dias da Silva não quer dizer que os professores também não tenham que se preocupar com a sua adaptação aos novos problemas e às novas realidades que vão surgindo. Uma dessas mudanças, tem a ver com a adaptação às novas tecnologias. João Dias da Silva questiona mesmo o facto de "numa sala de aula não ser chocante que o único que não sabe mexer num computador, seja o professor", acrescentando que "hoje, uma criança com 6 ou 7 anos já sabe fazer uma pesquisa na Internet ou enviar um e-mail". Daí que defenda que, "os professores têm que ter uma formação constante de actualização às novas realidades e em relação às mudanças sociais que têm vindo a ocorrer".
Por tudo isto, João Dias da Silva lembra que, "ser professor, hoje, não é uma profissão de risco; é, antes, uma profissão com muitos riscos".
Outra dificuldade, tem a ver com o facto da diversidade de origens culturais que o jovem transporta para a escola, dos hábitos de comportamento que adquire nos ambientes sociais em que vive. A esse respeito, João Dias da Silva considera que "já não temos uma população escolar de alunos que quase se limite aos que têm origem em extractos mais favorecidos e para as quais a formação inicial de professores os preparou" e, por isso mesmo, "o professor tem que ser capaz de, perante este confronto cultural, se adaptar a todos eles". Para além disso, João Dias da Silva volta a lembrar que "não cabe à escola e aos professores minimizar essas rupturas de risco". Daí que, no que respeita às queixas que são apresentadas pelos professores, os assuntos ligados à indisciplina, lideram qualquer tabela.

O professor do futuro

Para que os alunos se sintam bem numa sala de aula, o professor deve e/ou pode adoptar determinados tipos de comportamento, para além de que, o facto do aluno se ambientar com a turma, faz com que se sinta mais importante na sala. Por conseguinte, é ao professor que cabe zelar pelo bem estar na sala de aula, ao mesmo tempo que pode "criar hábitos e fazer com que o aluno possa querer saber mais sobre determinados assuntos".
Para além disso, sendo o professor um "pilar indispensável na educação dos jovens", João Dias da Silva confessa que "o professor será, acima de tudo, o referencial pela forma de estar que o jovem irá adoptar na sua vida".
Daí que o professor que se preocupa com o futuro é alguém que "domina outras tecnologias, para além de ter que construir a sua relação com os alunos, tendo em conta as alterações tecnológicas que estão a ocorrer". Por outro lado, "a relação professor/aluno terá que continuar a existir de uma forma pessoal, nunca se tentando transformar essa relação em algo impessoal, feita através de máquinas". Caso contrário, João Dias da Silva alerta que "perderemos o sentido do humano nas nossas vidas se não se preservar este aspecto pessoal que existe e que continuará a existir na vida dos professores e dos alunos".
Por outro lado, independentemente do que ocorrer, João Dias da Silva confessa que um professor, seja agora, seja no futuro, "deverá ser sempre sincero, leal e, acima de tudo, um bom profissional".


Entrevista publicada hoje no jornal O Primeiro de Janeiro, no âmbito de um trabalho chamado "O Professor como Referência".
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