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"Analisa bem quem é teu amigo, porque se o consideras como tal e ele não o for, pode muito bem ser o teu principal inimigo"

Anónimo
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Vai ser publicado no próximo dia 15 de Abril, no jornal O Primeiro de Janeiro, um trabalho dedicado ao I Encontro Nacional sobre Patologia e Reabilitação de Edifícios. O texto que se segue, irá abrir o referido trabalho.

Urge reabilitar, com qualidade

Muito embora haja uma preocupação crescente de construção, traduzida pela introdução de regulamentação específica na área do conforto, verifica-se que os edifícios construídos nos últimos anos não apresentam a qualidade esperada. Pode mesmo afirmar-se que há alguns milhares de fogos, construídos recentemente, com anomalias muito graves que condicionam a sua utilização.

A falta de sistematização do conhecimento, a ausência de informação técnica, a inexistência de um sistema efectivo de garantias e de seguros, a velocidade exigida ao processo de construção, as novas preocupações arquitectónicas, a aplicação de novos materiais e, a inexistência na equipa de projecto, de especialistas em física das construções, entre outros, são causas fundamentais da não qualidade dos edifícios.
Nestas circunstâncias, será da maior importância uma reflexão profunda sobre as causas da patologia da construção em Portugal, bem como a definição de uma estratégia, a médio prazo, para a melhoria da qualidade e da durabilidade dos edifícios, em particular, da sua envolvente.
O investimento na reabilitação e conservação de edifícios em Portugal é extremamente reduzido, não atingindo sequer, os dez por cento do investimento total do sector da construção, contrariamente a muitos países da União Europeia em que esse sector corresponde a uma fatia do mercado superior a 40 por cento. A ausência de investimento na reabilitação tem como consequência a degradação dos centros urbanos e da qualidade de vida dos cidadãos. Assim, considerou-se ser necessário inverter esta situação nas próximas décadas o que, para tal, exige, o desenvolvimento de metodologias para a elaboração de projectos de reabilitação de edifícios, a implementação de estudos de diagnóstico suportados por medições in situ e em laboratório, o conhecimento das anomalias mais correntes, o conhecimento do desempenho dos materiais e tecnologias utilizadas em reabilitação, bem como a elaboração de cadernos de encargos exigências suportadas por manuais exigenciais.
Neste contexto, o I Encontro Nacional sobre Patologia e Reabilitação de Edifícios – PATORREB 2003, que teve lugar nos dias 18 e 19 de Março, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), procurou reflectir sobre esta problemática, contribuindo para o diagnóstico da situação e para perspectivar o futuro.
Para além das cerca de cinquenta comunicações, o encontro incluiu também dois workshops sobre o ensino da higrotérmica, patologia e reabilitação e sobre as potencialidades laboratoriais no domínio da higrotérmica.

Perceber os problemas

Presidindo a comissão organizadora, Vasco Peixoto de Freitas, professor catedrático da FEUP, em entrevista ao jornal “O Primeiro de Janeiro” confessou-nos que este encontro teve por base dois objectivos. O primeiro, “analisar a problemática da patologia, ver quais as causas dos problemas, saber o porquê de eles existirem e que estratégias são necessárias desenvolver no futuro para que eles sejam minimizados”. Por outro lado e, porque a reabilitação de edifícios é praticamente inexistente em Portugal, “entendemos que este era o momento oportuno de a discutir, de perceber quais os incentivos, como encarar o problema do ponto de vista metodológico e, do ponto de vista tecnológico, apreciar as soluções para a reabilitação”. Nesse sentido, a principal mensagem que saiu deste encontro, foi direccionada a engenheiros e arquitectos, uma vez que são eles “os principais interventores no património edificado”. Os engenheiros, “porque são responsáveis pelas soluções e pela concepção de algumas soluções de reparação”; os arquitectos, “porque muitos deles intervêm nas características envolventes do próprio edifício”.
De salientar que, neste encontro, onde estiveram presentes cerca de 600 pessoas, dos quais 200 eram alunos, Vasco Peixoto de Freitas entende que “os alunos de engenharia e de arquitectura deveriam participar neste encontro, por forma a conhecer novas realidades, novas linguagens e novos programas”.
No que diz respeito às principais conclusões que foram adiantadas na sessão de encerramento, Vasco Peixoto de Freitas considera que “é claro para todos que não existe qualidade suficiente na construção e que são muitos os defeitos existentes”. Para além disso, uma das principais causas de anomalias na construção, é a humidade e, por outro lado, “é claro que o comportamento das paredes e das coberturas tem que ser estudado e tem que ser requacionado, para se evitarem esses tipos de inconvenientes”. Quanto aos investimentos que têm sido efectuados na área da reabilitação, Portugal é, com efeito, o país que menos tem investido nesta área. A esse respeito, Vasco Peixoto de Freitas é de opinião que “há que encontrar, do ponto de vista estratégico e tecnológico, uma política de incentivos, assim como as soluções e os caminhos para resolver este problema”. Por último, “interessa discutir, do ponto de vista técnico e científico, as principais conclusões da investigação desenvolvida até ao momento”. Os principais motivos que levam a essa falta de investimento, segundo este professor, prendem-se essencialmente com diversos motivos. Em primeiro lugar, “não existem quaisquer dúvidas, de que não existe reabilitação”, acrescentando que, “os centros urbanos das grandes cidades portuguesas estão muito degradados pelos mais diversos motivos”. A título de exemplo, Vasco Peixoto de Freitas refere que “os edifícios mais antigos, do ponto de vista do conforto, não têm as mesmas condições que os edifícios novos”, justificando essas condições, “pelo facto de não terem sido intervencionados nos últimos anos”. Para além disso, refere que “é possível, conservando e reabilitando, com uma forma diferente de construção, na periferia das cidades, ter magnifícos espaços recuperados, no centro das cidades”, acrescentando que “há é que reabilitar e recuperar esses mesmos edifícios”.

Projectos

Na sequência deste encontro, para além de uma sensibilização de todos os intervenientes para este problema, Vasco Peixoto de Freitas considera que “seria desejável criar grupos de estudo sobre a patologia em Portugal, cujo objectivo seria criar um conjunto de empresas e/ou instituições, fundadoras desses grupos de estudo para, durante dois anos, criar-se na Internet, um espaço livre onde se pudessem divulgar os principais defeitos da construção”.
Por outro lado e, no que diz respeito à patologia, espera-se que seja possível criar um grupo de trabalho alargado, englobando as universidades, as empresas de construção, as ordens profissionais, os laboratórios, as empresas de materiais de construção, entre outros, e que criasse uma documentação técnica, sólida, aceite por todos os técnicos intervenientes na construção e que pudesse servir de base à elaboração de cadernos de encargos exigenciais. Quanto à reabilitação, a grande mensagem que foi transmitida é do ponto de vista metodológico. Segundo Vasco Peixoto de Freitas, “as empresas de gestão de condomínios devem perceber que, reabilitar, não é pedir um preço para curar um problema; há que fazer um estudo, um diagnóstico o mais técnico possível, por forma a, depois, encontrar uma solução de reparação”.

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