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14 agosto 2003

A partir de hoje e, até ao próximo dia 8 de Setembro, vou estar de férias. Assim, não virei aqui actualizar o blog.
Boas férias para quem está de férias e, bom trabalho para quem está a trabalhar...

29 julho 2003

Gravatá

Este meu blog foi distinguido no Top 10+ do Luiz Antônio Gravatá. Trata-se de um colunista do Jornal O Globo que reúne um conjunto de temas e os destaca a cada semana.
Para saber mais, clicar aqui. Para enviar um mail ao colunista, clicar aqui. Para comentar, clicar lá em cima.

25 julho 2003

Comiss?rio Neto

Texto a ser publicado no próximo dia 9 de Agosto, no jornal O Primeiro de Janeiro.

Para o comissário Ribeiro Neto, chefe do núcleo de investigação policial do comando da PSP do Porto...

“Não somos os maus da fita”

Lidam diariamente com a problemática da toxicodependência. São agentes da PSP e, com a agravante de, para além de lidarem com os consumidores, ainda têm que se preocupar com o outro lado deste flagelo: o do tráfico. Para entendermos melhor esta realidade, fomos conversar com o comissário Neto.

São agentes da autoridade e têm, por principal missão, defender a legalidade democrática, garantindo a segurança interna e os direitos dos cidadãos, nos termos do disposto na nossa Constituição e na lei. Paralelamente a isso, a actividade das forças de segurança está sujeita ao interesse e exigências da sociedade a cuja protecção se destina, pois trata-se, sem dúvida, do exercício de um serviço público, a favor da comunidade. Para esse efeito, um dos principais objectivos das autoridades policiais, é o de promover as condições de segurança, que assegurem o normal funcionamento das instituições democráticas, bem como o exercício dos direitos, liberdades e o respeito pelas garantias fundamentais dos cidadãos. Por outro lado, deve a nossa polícia, garantir a manutenção da ordem, segurança e tranquilidade públicas, prevenindo a criminalidade e a prática dos demais actos contrários à lei e aos regulamentos, bem como prevenir a criminalidade organizada e o terrorismo, em coordenação com as demais forças e serviços de segurança.
Abordando a problemática da toxicodependência pelo «outro» lado e, falando em consumos, o nosso país sofreu uma mudança de legislação, com a descriminalização do consumo de estupefacientes. Antes, quando um indivíduo era abordado e, na posse de qualquer droga, ele era detido; hoje, existe uma quantidade mínima que se pressupõe, o consumidor, possa trazer consigo. No entanto, Ribeiro Neto é de opinião que essa descriminalização não levou a uma diminuição da oferta. Segundo nos conta, “as pessoas fazem-se valer desses números para circularem com mais à-vontade na posse de drogas”. Uma outra questão, tem a ver com a própria intervenção da PSP, ao nível do combate do tráfico. Com efeito, a cidade do Porto tinha as suas «manchas» bem definidas e delineadas no âmbito do tráfico de drogas. São conhecidas algumas das intervenções que a PSP tinha nesse sentido, em alguns dos mais populares bairros portuenses, como seja a Sé, o S. João de Deus e o bairro do Cerco. No entanto, a actuação desta força policial fez, senão desaparecer, pelo menos reduzir drasticamente a distribuição directa nalguns destes bairros. No entanto, este problema fazia-se sentir, ultimamente, com mais incidência, no bairro do Aleixo, “se bem que a nossa última intervenção fez com que já não haja aquela avalanche de antes”, salienta Ribeiro Neto, acrescentando que, “é certo que, pelas suas características geográficas, este vai ser um local, tal como o bairro da Sé onde se vai vender sempre drogas, havendo necessidade, por isso, de complementar a acção judiciária de polícia com a componente preventiva utilizando a acção uniformizada e outras intervenções multidisciplinares (Câmara Municipal, equipas de rua) para pôr cobro, pelo menos, à visibilidade do fenómeno”. Apesar de ser claro e notório que se trafica e vende drogas no bairro do Aleixo, este chefe do núcleo de investigação policial do comando da PSP do Porto refere, no entanto, que “este fenómeno deixou de ser tão visível como antes, não só graças às estratégias operacionais da polícia, como pelo facto de que, a heroína e a cocaína deixaram de ser as drogas de eleição”. O motivo que leva a essa redução, tem na sua base “as inúmeras campanhas e a própria consciência das pessoas”. Contudo, aumentaram o consumo de haxixe e de novas drogas sintéticas, como o LSD ou o ecstasy. Segundo nos confessa Ribeiro Neto, “as pessoas ainda têm a ideia que o haxixe é uma droga dita leve, que não causa habituação e que não perturba”. Quanto às drogas sintéticas, “elas surgem como a droga da moda, se bem que elas circulam, pelo menos aqui na cidade do Porto, num contexto muito restrito”. Os principais consumidores destas drogas são, acima de tudo, jovens com um nível cultural acima da média.

Como se lida com o problema?
Se compararmos esta problemática ao nível das cidades Porto e Lisboa, as realidades são bem distintas. Ribeiro Neto salienta mesmo que, “aqui no Porto vende-se e consome-se crack, coisa que, em Lisboa não se encontra”. Por outro lado, também a actuação da PSP se faz sentir de forma diferente, pois as realidades criminais e preocupações relativas à densidade populacional são manifestamente desproporcionais. A esse respeito, o chefe do núcleo de investigação policial do comando da PSP do Porto é de opinião que “é necessário sabermos conversar, sabermos abordar as pessoas de forma diferente, de forma a podermos intervir sem grandes dificuldades”. As próprias organizações grupais, responsáveis pela venda de estupefacientes, também se vão adaptando aos mecanismos de controlo do crime, proliferando e, cada vez mais, utilizando os jovens para os seus negócios. É nesse sentido que “devemos saber abordar o problema, pois a sua dinâmica impõe actualização imediata e uma capacidade de intervenção táctica cada vez mais eficiente e actual”.
Isto porque, em termos sociais, esta é uma questão muito complexa com que a polícia tem que lidar, ou seja, regra geral, ninguém fica indiferente sempre que um agente da autoridade aborda um alegado consumidor/potencial traficante. E, isso acontece porque, nas palavras de Ribeiro Neto, “este é um meio que nos é difícil e que não nos favorece, tanto mais que nós temos que desenvolver empatias com os toxicodependentes”. Por outro lado, o próprio toxicodependente não olha o polícia como alguém que está ali para o ajudar; ele ainda é encarado como um vilão, ou seja, “a nossa imagem ainda está associada àquilo que representa, ainda hoje, em Portugal, a palavra polícia”. Questionado se, a polícia «ainda» é o mau da fita, Ribeiro Neto confessa que “temos tentado, aos poucos, mudar essa imagem e, alegro-me por dizer que o temos conseguido”. Para além disso, “os próprios consumidores já começam a conhecer-nos e, muitas das vezes, já são eles que nos pedem ajuda”.

A formação como uma mais valia
Para que a actuação da polícia seja eficiente e obtenha resultados positivos e/ou satisfatórios, é necessário, para além da força de vontade e muita dedicação, “um empenho por parte de toda a equipa, que eu sei que existe”, refere Ribeiro Neto. Por outro lado, isso só é possível mediante o cumprimento de determinados objectivos, “estipulados por nós, logo à partida nas nossas acções de formação”. Esta é, certamente, uma mais valia, não só para este núcleo de investigação policial do comando da PSP do Porto, como para os restantes. E, no que à formação diz respeito, Ribeiro Neto confessa que “temos a preocupação de indicar aos nossos profissionais, que os consumidores têm que ser encarados, não como criminosos, mas como alguém que precisa mais de apoio do que de repressão”, acrescentando que, “isto funcionou positivamente, uma vez que nós, hoje, fazemos transpor para a sociedade, uma imagem diferente daquilo que é o polícia e de qual é o nosso papel na sociedade”, apesar de, por vezes, “o consumidor continuar a olhar para nós e ficar desconfiado, ao ponto de não saber se o vamos ajudar ou se vamos intervir de uma forma mais agressiva”. Para além disso, o chefe do núcleo de investigação policial do comando da PSP do Porto refere que, “aos nossos profissionais são ministradas acções de formação ao mais diverso nível, seja relativas a políticas de reinserção social, seja relativas a questões de abordagem psicossocial do problema da toxicodependência, ou até mesmo relativas a abordagem operacional do fenómeno no terreno”. Isso faz com que os profissionais da PSP sejam capazes de fazer a distinção entre “quem é o consumidor e quem é o traficante”, de igual forma que conhecem aqueles que “são consumidores/traficantes”.

Prevenir e informar
Mais do que reprimir, cabe às nossas forças de autoridade, informar e manter informado o público. A esse respeito, também a prevenção ocupa um lugar de destaque na vida destes profissionais e, ao contrário do que acontecia antes da despenalização do consumo, a prevenção do consumo, hoje em dia, segundo nos conta Ribeiro Neto, “faz-se com visibilidade policial e não com trabalho de investigação criminal”. Daí que, Ribeiro Neto confesse que “a investigação criminal, na área da toxicodependência (consumo), tem alguma dificuldade a fazer prevenção”, salientando que, “a prevenção no local de venda de droga, faz-se com homens fardados a invadir esses mesmos locais e, paralelamente, desenvolvemos toda uma metodologia operativa desenvolvida através de acções processuais cujo desenlace operacional culminará o trabalho de investigação criminal sustentando acusações formais por parte do Ministério Público e, em última instância, a condenação dos prevaricadores, erradicando deste modo aquele foco”. A título de exemplo, Ribeiro Neto refere o bairro da Sé, quando havia enormes filas para comprar droga. Agora, esse panorama já não acontece, “muito devido ao nosso trabalho de investigação e ao contínuo trabalho de patrulhamento que tem sido feito no bairro”. Por conseguinte, com as dificuldades que foram criadas, as pessoas deixaram de se aproximar desses locais de compra e passaram a ir para outros locais. Isso, Ribeiro Neto considera que é “um trabalho de prevenção na compra e no consumo de drogas”.
Outras campanhas de informação e prevenção que a PSP realiza estão orientadas para públicos alvo, como seja, nas escolas ou nas universidades, entre outros, em que estes agentes são convidados a intervir e a apresentar/debater determinados temas ligados a esta problemática. Segundo Ribeiro Neto, “nós estamos ali a falar sobre um assunto que os preocupa e, mais importante do que isso, estamos a falar sobre o que nós vivemos, vemos e presenciamos”. Acções deste género só são possíveis “porque, felizmente, começámos a trabalhar por objectivos”, refere Ribeiro Neto, acrescentando que “ainda temos, no entanto, um caminho muito grande a percorrer em que só este esforço multidisciplinar poderá ter eficácia no âmbito da prevenção ao consumo de estupefacientes”.
Um dos projectos no qual a PSP também abraçou, apesar de não ter sido de sua autoria, foi o projecto «Porto Feliz». Criado pela Câmara Municipal do Porto, este projecto visava retirar da rua, todos os arrumadores de carros, muitos deles, toxicodependentes e, traçando um balanço inicial muito positivo, Ribeiro Neto é de opinião que “foi feito um esforço muito grande, por parte de muita gente, para se erradicar um fenómeno que incomoda as pessoas”. No entanto, o chefe do núcleo de investigação policial do comando da PSP do Porto alerta para o facto de, este programa ter que ser feito “com muita sensibilidade porque, primeiro, a prevenção policial não pode ser tão objectiva quanto as pessoas desejariam e, depois, é necessário sabermos conjugar a realidade processual penal com a realidade social, em que, o falar com as pessoas, é essencial para se perceberem os objectivos conjecturais das medidas de polícia; nós temos que falar, não como polícias, mas como pessoas que todos nós somos”.
Questionado acerca da possibilidade de, um dia, as drogas poderem ser aniquiladas da sociedade, Ribeiro Neto é peremptório e afirma que não, tanto mais que, “todos nós sabemos que a droga alimenta muitas economias mundiais e envolve milhões de euros”. Por conseguinte, “é necessário continuarmos a trabalhar com o mesmo afinco com que temos trabalhado, no sentido de determos o maior número possível de traficantes e apreendermos o maior volume de estupefacientes possível”. Por tudo isto, será escusado dizer que os projectos são mais que muitos e, Ribeiro Neto confessa que “vamos continuar, nos bairros do Aleixo, da Sé, S. João de Deus, Cerco e Lagarteiro, a causar muitas baixas” e, para além disso, “a área metropolitana do Porto vai continuar a sentir a nossa acção”, conclui.

23 julho 2003

Entrevista

Brevemente, vou colocar aqui uma entrevista que fiz ao comissário Ribeiro Neto, chefe do núcleo de investigação policial do comando da PSP do Porto.

19 julho 2003

Epidemia de blogs


São quase 410 mil weblogs ao redor do mundo. Este é o registro feito pelo Weblog Crawl Report, uma iniciativa que procura identificar blogs ativos em diversos idiomas. Os blogs em língua portuguesa só perdem em número para os de língua inglesa.
Segundo o Weblog Crawl Report, o "ranking" fica assim:
1º: Inglês: 211.631 blogs;
2º: Português: 43.178;
3º: Polaco: 37.559;
4º: Espanhol: 7.048;
5º: Alemão: 6.060;
6º: Italiano: 5.202;
7º: Francês: 4.680.

11 julho 2003

Vai ser publicado no jornal O Primeiro de Janeiro, na próxima 2ª feira, 14, o seguinte artigo:


A hora dos jovens criadores


Em exibição até ao próximo dia 24 de Agosto, no Museu Municipal Amadeu de Souza-Cardoso, em Amarante, o Salão Europeu de Jovens Criadores é uma exposição itinerante de arte contemporânea que reúne três núcleos de obras de Portugal, França e Espanha.

Tudo é tudo ou nada é nada; é conforme. Devaneios do passado, sonhos de infância perdida, futuro suspeito. São estes os temas favoritos em resposta à incerteza actual neste salão europeu. Interactividade, trocas, a arte deixou de ser o apanágio do museu e do coleccionador. Não é o proprietário de ninguém; apenas de um espírito tentador: o tempo. Segundo Nicole Ginoux, directora artística e comissária geral do salão, “aqui se podem experimentar as mesmas inovações, as mesmas preocupações e o mesmo desejo de comunicação”, salientando que, “as técnicas utilizadas adaptam-se desde o imaginário, até ao imagético do criador, concedendo espaços a acentuados conceitos de uma iconologia pessoal, por vezes, dificilmente perceptível”.
É necessário, então, observar a relação interactiva entre a obra de arte e o espectador; uma espécie de imediação e de participação parece necessária, tanto a um, como a outro. Efectivamente, a arte europeia tem tendência para se uniformizar; para se universalizar.

Inauguração
Inaugurado no passado dia 5 de Julho, o Salão Europeu de Jovens Criadores trouxe à cidade de Amarante alguns notáveis das artes, não só portugueses, como também franceses e catalãos. Em jeito de abertura, António Cardoso, director do museu referiu mesmo que, “Amarante entrou na rota das artes ao se aliar a este projecto europeu”. Com efeito, esta é a única cidade portuguesa a representar este certame, a par de Sant Cugat del Vallès (Catalunha) e Montrouge (França).
Paralelamente a isso, Maria de Fátima Lambert, comissária portuguesa do salão, destacou a importância que este acontecimento reveste “para o panorama cultural da nossa cidade e do nosso país”.
Por forma a ser continuado este projecto, “porque de ano para ano temos cada vez mais participantes a aderir e, mais público interessado”, tal como confessou o director do museu, a organização decidiu – à semelhança de anos anteriores –, premiar um dos trabalhos presentes nesta exposição. Para além disso, o Grupo de Amigos do Museu Amadeu de Souza-Cardoso, decidiu atribuir um outro prémio, no valor de 250 euros, ao artista espanhol Juan Medina, com o trabalho «Deformando el lenguaje». No entanto, o grande vencedor desta edição do Salão Europeu de Jovens Criadores, foi o catalão Jaime Pitarch, com o trabalho «Entramado de tiras de papel». Trata-se da montagem de um mapa mundo através de tiras de papel, passadas previamente por uma máquina de destruir papel. Para além do prémio monetário, Jaime Pitarch vai poder organizar uma exposição individual, paralela ao salão europeu do próximo ano.

Arte em português
Para além dos artistas espanhóis e franceses, também este evento contou com a participação de portugueses. Desde espelhos e acrílicos, passando por trabalhos em madeira e fibras de vidro, fotografias e vídeos e, ainda, trabalhos à base de óleos, papel vegetal, tecidos, algodões e materiais sintéticos, os doze artistas portugueses que aqui estão presentes são, Rita Carreiro, André Cepeda, António Júlio Duarte, João Galrão, Brígida Mendes, Marta Moreira, Duarte Amaral Netto, Sandra Quadros, Paulo Quintas, Ana Rito, Avelino Sá e Catarina Saraiva.

08 julho 2003

SOS Racismo

De entre os vários trabalhos que foram publicados no passado sábado, no jornal O Primeiro de Janeiro, a propósito do tema "Minorias Étnicas", destaco aqui uma entrevista que efectuei a alguns associados do SOS Racismo.

Combater a ignorância

São conceitos como, racismo, xenofobia, discriminação ou tolerância que faz com que os associados do SOS Racismo não parem de trabalhar. Em mente, apenas um único objectivo: promover uma sociedade em que todos tivessem direitos iguais.

Tudo começou em 1989, com o assassinato de José Carvalho por parte de um grupo de skinheads. Nessa altura, José Falcão encontrava-se com José Carvalho e assistiu a tudo. Inclusive, “poderia ter sido eu”. Seguiram-se outros assassinatos que haviam começado em 1986 até que, um grupo de amigos, cansados, decidiram juntar esforços, coragem e criam, no Dia Internacional dos Direitos Humanos, a 10 de Dezembro (de 1990) a ideia base que presidiu à criação do SOS Racismo. Essa ideia, foi a de lutar contra todos aqueles que procuram viver num mundo fechado, intolerante e irracional. Para isso, foi iniciada a luta contra o racismo e a xenofobia em Portugal, promovendo-se, ao mesmo tempo, a criação de uma sociedade em que todos os cidadãos tivessem direitos iguais.
Ora, Portugal sempre foi considerado um país de brandos costumes; nunca até então se conheciam casos de comportamentos e/ou atitudes racistas por parte dos portugueses. Pelo menos, a comunicação social não os havia denunciado. Dessa forma, segundo nos conta José Falcão, o rosto visível do SOS Racismo, “fazia pouco sentido, nessa altura, discutirem-se esses «mitos», principalmente, para o poder político”. E, por isso, esta associação sempre primou pela sua independência. E, também por isso, esta é uma daquelas associações que não possui umas instalações por aí além. Contrariamente, o «cubículo» que serve de sede ao SOS, não oferece as mínimas condições de trabalho e, por bem pouca que seja a chuva que cai, lá dentro, fica-se com a sensação de que um novo dilúvio vem por aí, tal é a quantidade de água que escorre pelas paredes e pelo tecto.
Quase 13 anos depois de intenso trabalho, esta associação tem vindo a crescer e, hoje em dia, para ir ao encontro dos seus objectivos de luta, têm realizado diversas actividades de sensibilização, tendo em vista combater a ignorância, uma vez que é ela que está na base do racismo e da xenofobia em qualquer sociedade. Uma vez que a violência não se combate com mais violência, a intervenção do SOS Racismo desenvolve-se a partir de três formas. Desde logo, junto das escolas, das universidades, dos bairros, ou mesmo, junto de outras associações, através da participação em actividades desenvolvidas por elas, nomeadamente a participação em debates e a elaboração de material que permita abordar o problema do racismo em Portugal. Nestes debates, acima de tudo, mais do que transmitir o que quer que seja, José Falcão confessa que “o que é essencial, é pôr as pessoas a pensar pela sua própria cabeça”.
Uma outra forma de trabalho, é através do apoio jurídico que é prestado em situações concretas de discriminação, bem como a produção de materiais informativos sobre os direitos dos cidadãos, que têm por objectivo, não só que todos saibam quais os seus direitos mas também como os podem fazer valer. Aliás, é na produção destes conteúdos, nomeadamente, livros (Ver caixa), que a SOS vai buscar a maior parte das suas receitas.
Por último, através de tomadas de posições públicas contra todos os actos racistas, ou que promovam o racismo em Portugal. Exemplo disso, tal como nos conta Mamadou Ba, outro dos associados do SOS, “é a total hiprocrisia que se assiste, a par de uma total impunidade por quem de direito, sempre que os nossos agentes da autoridade, se fazem valer da violência policial”, acrescentando que “em Portugal existe um racismo institucionalizado”. Associada a estas tomadas de decisão, o SOS dedica-se, ainda à apresentação de medidas concretas que permitam combater o racismo e a xenofobia, através de comunicados de imprensa, envio de cartas e/ou de petições que são enviadas aos membros do Governo ou à Assembleia da República. Ao nível das contrapartidas obtidas por todo esse trabalho, Mamadou Ba destaca a Lei contra a Discriminação Racial, que foi proposta pelo SOS Racismo e que foi aprovada pelo Parlamento em 1999.
A Festa da Diversidade, uma das actividades levadas a cabo pela Rede Anti-Racista (da qual o SOS faz parte), no passado mês de Junho, levou muitas pessoas ao Martim Moniz, em Lisboa. Tratou-se de um espectáculo que, segundo Susana, outra associada do SOS, “tinha como slogan, «Um outro mundo é possível» e que, para além de muita música, gastronomia e artesanato, também a dança e a animação de rua, estiveram presentes”.
Com todo este trabalho já desenvolvido, José Falcão perspectiva o futuro com “muito mais trabalho; queremos elaborar mais material didáctico e queremos continuar a lutar por um país mais justo e menos racista”.

27 junho 2003

Coca da Boa

Depois de um dia de trabalho carregado de stress, nada melhor do que um pouco de... Coca da Boa. Segundo os seus autores, brasileiros, claro, o Cocadaboa é aconselhável apenas para maiores de 18 anos, uma vez que o seu conteúdo é 100% humorístico e/ou mentiroso. E perguntam: "Quer nos processar? Boa Sorte! Nosso site está hospedado na Eslovénia".
Não esquecer a versão blog do Cocadaboa onde existe, segundo eles, "a toda a hora, uma merda nova e, a qualquer momento, um babaca lendo"...
Isto promete...


A não perder é, também, O Meu Pipi... É de morrer a rir!!! E, para mim, este blog tem a mão de Rui Zink. Não sei porquê. Vejam e digam qualquer coisa...

06 junho 2003

Vai ser publicado amanhã, dia 7, no jornal O Primeiro de Janeiro, mais um suplemento dedicado à toxicodependência.
Dos vários textos que efectuei, decidi colocar aqui dois. Trata-se de um resumo do que foi, respectivamente, o 1º e o 2º painel da conferência subordinada ao tema "O papel da comunicação social na luta contra a toxicodependência" e que foi organizada pelo jornal em parceria com a Câmara Municipal do Porto. Ver post do dia 1 de Junho.
Aceitam-se comentários...

Uma vez lançado o «pontapé de saída», é fundamental responsabilizar a sociedade e...

Procurar parcerias com os media

Neste primeiro painel procurou-se abordar inúmeras questões; desde logo, saber o que faz, de facto, um jornalista, passando pela prevenção propriamente dita, pelo desporto, pela responsabilização dos órgãos de comunicação social, entre muitos outros temas.

Contando com a presença de Salvato Trigo, reitor da universidade Fernando Pessoa, Maria Moreira, do IDT, António Gonçalves Pereira, presidente do conselho de justiça da Associação de Futebol do Porto e, Fernando Martins, provedor do leitor no Jornal de Notícias, este primeiro painel foi coordenado por Fernando Mendes, vice-presidente do IDT que confessou que “espero que estes trabalhos nos conduzam a uma nova esperança”. A grande questão partiu da forma “como a comunicação social utiliza os dados que lhe são fornecidos, pois é possível trabalharmos em conjunto, em prol de um mesmo objectivo”.

Maria Moreira, especialista em gestão de sistemas de informação fez questão em salientar que, “é a partir do conhecimento que se pode fazer prevenção” e, nesse sentido, é de opinião que “os jornalistas querem informação; nós queremos dá-la mas, muitas vezes, temos medo de a dar, porque não sabemos como é que esses dados vão ser tratados”. Daí que defenda a ideia que deverão ser os jornalistas “a ajudar-nos a nós, técnicos no terreno, acerca da melhor forma de poder passar a informação”. E, isso, vem a propósito do mecanismo de alerta para as novas drogas sintéticas, uma vez que “a postura dos media não tem sido a mais correcta”, acrescentando que “o levantamento de questões sobre novas drogas sintéticas, cuja influência negativa não esteja comprovada ao nível da saúde pública, poderá ter o efeito perverso de despertar a curiosidade dos consumidores”. Para além disso, Maria Moreira atribuiu aos media, “uma responsabilização social, uma vez que ela molda muito o que é a realidade social e, um enorme serviço que ela poderá prestar à sociedade, é passando uma informação rigorosa, baseada em contextos rigorosos”.

Por seu lado, Salvato Trigo, colocando-se na posição de alguém que tem a responsabilidade de formar agentes da comunicação, dita social, salientou que “a comunicação social deixou de o ser há mais de um século, uma vez que passou a ser uma mercadoria de consumo corrente, a partir do momento em que se tornou um dos elementos mais poderosos da chamada «economia da libido»”, ou seja, “satisfazer-se a curiosidade dos consumidores”. A propósito da função educativa que muitos transpõem para os media, Salvato Trigo confessa que “a comunicação social não tem essa função, não a pode, nem deve ter”. Por conseguinte, “a sua intervenção deve ser feita nos consumidores, para os tornar consumidores esclarecidos, educados e, para que eles saibam consumir e não consumam «porcaria»”. Dessa forma, “se não se consumir «porcarias», como estamos numa lógica de mercado, a «porcaria» deixa de poder sustentar-se”, acrescentou. Sendo Portugal “um país de opinião publicada, em vez de opinião pública”, Salvato Trigo afirmou que “um país sem opinião pública não consegue consolidar uma Democracia, porque a Democracia só se consolida com uma opinião pública esclarecida no consumo e não na produção”.

António Gonçalves Pereira, reportando-se ao papel que o desporto deve ter na vida activa de qualquer cidadão, salientou a importância da prática desportiva na recuperação e reabilitação de um toxicodependente, na medida em que “incentiva o trabalho de equipa, permite o contacto com outras experiências, ajuda na saúde e na criação de novas amizades, para além de criar afectos que, no fim de contas, é o que se pretende para um cidadão recuperado”. Paralelamente a isso, António Gonçalves Pereira alerta para o papel que a prevenção deve ter, não esquecendo de se “associar a prevenção na adolescência, por via da prática desportiva”, acrescentando que “trata-se de algo muito importante que não tem sido veiculado com muita frequência”.

Por fim, Fernando Martins, confessando que, “a comunicação social não tem, nem deve ter, a função de educar quem quer que seja; é para isso que serve a família e a escola”, salientou que “os jornalistas não são mais do que um espelho da sociedade que servem” porque, ao fim de alguns anos de exercício, “é o próprio público que acaba por moldar os jornalistas”, tanto mais que a profissão em si foi sujeita a inúmeras evoluções, “tendo passado o jornalista de um «sujeito da anunciação» para um «sujeito anunciado»”. Ou seja, no início, o jornalista “era a discrição em pessoa e, sempre que era necessário fotografar, evitava-se ao máximo que o jornalista aparecesse na fotografia”. Hoje em dia e, com o passar dos anos, “os ouvintes, os leitores e os telespectadores passaram a querer outra coisa dos jornalistas”, acrescentando que “toda a gente atribui grandes responsabilidades à comunicação social, esquecendo-se que sois vós que estais desse lado e que sois os consumidores finais, que tendes a obrigação, através da vossa exigência, de formar as novas gerações de jornalistas”.




Moderado por Nassalete Miranda, directora do nosso jornal, lançou-se a pergunta: qual é, afinal...

O papel da comunicação social?

Partindo do princípio que, “o papel da comunicação social é todo aquele que o resto da sociedade nos quiser impor, sendo este um papel que tem a ver com toda a sociedade”, Nassalete Miranda referiu-se a um papel de intercomunicabilidade que envolve toda a sociedade.

Considerando que, “no âmbito da toxicodependência, este é um papel que é transversal a toda a sociedade”, Nassalete Miranda destacou, ainda, a importância da família, da escola, do trabalho, do lazer e, também da comunicação social.

Este segundo painel contou com a presença de Mota Cardoso, psiquiatra e um dos responsáveis pelo projecto «Porto Feliz», Miguel Coleta, responsável pela comissão de saúde da Assembleia da República e deputado do PSD, Victor Fonseca, jurista e coordenador do suplemento mensal editado pelo nosso jornal, «Justiça e cidadania» e, João Palmeiro, presidente da associação da imprensa não-diária.

Mota Cardoso iniciou esta palestra e, salientando que “existe um brutal paradoxo em relação às questões da droga no nosso país”, referiu que “Portugal está preparado com técnicos e com equipamentos mas, o problema da droga está a crescer cada vez mais, tendo-se verificado um aumento do número de traficantes e de consumidores”. Paralelamente a isso, Mota Cardoso destacou os problemas da legalização e/ou da despenalização das drogas, assim como a sua criminalização. A esse propósito referiu que “existe um conjunto de saberes e que derivam da complexidade deste fenómeno que temos pela frente e que fomenta opiniões, quase sempre divergentes”.

Para além disso, salientou que “Portugal tem-se esquecido de um problema descomunal e que tem a ver com o facto de termos dois milhões de bebedores excessivos e, por outro lado, existem cerca de 700 alcoólicos crónicos com doenças somáticas irreversíveis”, ou seja, em cada 10 portugueses, 2 são bebedores excessivos e, “desses dois, um é jovem, o que agrava a situação”, acrescentou. Paralelamente a esse consumo de álcool, verifica-se também um cada vez maior consumo de outras substâncias ilícitas. A grande questão, tem a ver com as causas e, nesse sentido, Mota Cardoso é de opinião que “na altura de se implementar uma solução, entretanto criada, para um dado problema, ela já é bem maior do que o problema da qual partiu essa mesma solução”.

Por outro lado e, referindo-se à actuação da comunicação social no que diz respeito à cobertura que tem sido dada ao programa «Porto Feliz», Mota Cardoso afirmou que “os mais de 200 arrumadores que conseguimos recuperar tiveram um sentido ético e estético da vida e um senso moral mais perfeito do que alguns dos jornalistas que aderiram ao projecto”, acrescentando que, “eles aí estão em formação profissional, a ser cuidados e a refazer as mazelas das suas vidas e das suas personalidades”.

Por seu lado, Miguel Coleta, defendendo que, “apesar de, a comunicação social não dever ter uma função educadora, ela cumpre essa mesma função a vários níveis, quando muita da informação nos chega através dela”. No entanto, “temos que perceber que o papel que a comunicação social tem é importantíssimo e que, na maioria das vezes, ele é cumprido com muito ruído”, acrescentando que “temos que concordar que existe no nosso país, muito bom jornalismo e muita informação séria”. Apesar disso, Miguel Coleta e, falando em concreto da toxicodependência, salienta que “nós temos um problema em termos de visibilidade pública do fenómeno, uma vez que, à medida que estas questões se forem controlando, elas vão-se banalizar em termos mediáticos, até chegar ao ponto de deixar de ser notícia”.

Victor Fonseca, dada a sua experiência no «Justiça e cidadania», confessou que “a comunicação social passou a ser um modo claro de controlo de poder, político, público e económico”. Por conseguinte, “controla-se a sociedade e as suas vontades”, tanto mais que “as democracias modernas vivem emparedadas entre as televisões, a sociedade/informação/espectáculo e, daí, ser necessário retomar um conceito formativo no jornalismo, nomeadamente, nas questões sociais”, uma vez que são essas mesmas questões que têm a ver com “os direitos, liberdades e garantias e, com os conceitos de cidadania e da sociedade”.

Por último, João Palmeiro salientou que “a técnica de comunicação que devemos utilizar, passa por vários factores, como seja, a qualidade de conteúdos”. A par disso, existe o marketing da notícia pois, “vivemos numa comunidade que tem um mercado de informação” mas, o paradigma das novas tecnologias e da electrónica também devem ser tidos em conta, uma vez que João Palmeiro é de opinião que “é para o futuro que nós temos que olhar e saber como é que vamos enfrentar este novo paradigma”.

Eles disseram que...
“Nós dizemos aos outros aquilo que podemos dizer; raramente dizemos aquilo que queremos dizer; e, nunca ou quase nunca, dizemos aquilo que devemos dizer”
“A comunicação social deve informar, formar, educar, opinar no seu espaço próprio; não deve é substituir-se àqueles que têm que fazer política nesse sentido”
“Muitos órgãos de comunicação social transformaram-se num órgão político ilegítimo”
“A maior parte da comunicação social que nós temos, vive à margem da democracia”

Mota Cardoso
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“Para os políticos é sempre um prazer comentar o trabalho dos jornalistas”
“O problema da toxicodependência vai continuar sempre a existir e, o caminho a seguir é no sentido da prevenção primária, sem esquecer o trabalho da família e da comunidade”
“Aos jornalistas deve-se exigir ética e rigor no tratamento que fazem da informação; aos políticos, deve-se exigir seriedade e determinação”

Miguel Coleta
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“Temos de perspectivar o combate contra a toxicodependência, na ideia de estarmos no século XXI e, numa perspectiva societária e de enquadramento social”
“Formar é contribuir para que o espectador possa entender a sociedade”
“Se o Estado se demitir de combater o narcotráfico, está a demitir-se da sua função fundamental de protecção da sociedade”
“O combate à toxicodependência é um combate diário, preventivo e repressivo contra o tráfico e contra os traficantes”

Victor Fonseca
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“O serviço público e o interesse público são chavões para não chegarmos a conclusão nenhuma”
“Não vale a pena formar jornalistas que saibam noticiar questões da droga se eles não tiverem espaço para escrever ou para falar”

João Palmeiro

02 junho 2003

O jornal O Comércio do Porto completou esta segunda-feira, 149 anos "entrando assim no primeiro dia do seu século e meio ao serviço da informação", tal como escreve no editorial, a directora-interina, Fátima Dias Iken.
Para todos os meus colegas de profissão e não só, os meus parabéns...